quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Israel para brasileiros (Tel-Aviv e Jerusalém)

Adoraria postar mais aqui, mas a vida anda corrida demais. Tendo em vista os inúmeros pedidos, sobretudo de alunos, a respeito de dicas de viagens para Israel, resolvi também compartilhar aqui um e-mail que tinha escrito a esse respeito para uns amigos... Antes da viagem para Israel, recomendo leituras prévias e os romancistas Amos Oz e David Grossman são excelentes autores para se iniciar. “Meu Michel” e “Contra o fanatismo” (esse último é na realidade composto de discursos) são os meus favoritos do Amos Oz, mas sua publicação é extensa e já vem sendo traduzida diretamente do hebraico para o português nos últimos tempos, pela super editora Companhia das Letras. E o cinema de lá anda de primeira: “Lemon Tree”, “Valsa com Bashir”, “A Banda”, “Nota de rodapé” e “A noiva síria” são ótimos. Portais como do jornal www.haaretz.com, http://972mag.com, e www.jpost.com dão uma boa visão das muitas e intensas questões políticas diárias do país. Os livros sobre a história do povo judeu e de Israel são muitos, mas acho que “Israel: terra em transe”, da Guila Flint e Bila Sorj, apesar de ser da década de 1990, dá algumas indicações sobre dilemas por que passa o país. “A história do povo de Israel”, do Abba Eban”, dá uma visão mais idealizada da história; e “Muralha de Ferro”, de Avi Shlaim, é um exemplo da chamada historiografia “pós-sionista”, que revisita a história de maneira bastante crítica. Enfim, tanto cinema, como literatura, já mostram ao viajante que se trata de um país absurdamente interessante e profundamente envolvido com questões dramáticas sobre sua história, política e identidade. Eu particularmente acho que Tel Aviv (T”A) é o melhor lugar para servir de base. A cidade tem ótima infra-estrutura hoteleira e vários atrativos. Os que recomendo em especial são: Eretz Israel Museum, Beit Hatfutsot, HaTachaná (ch tem som de rr), Neve Tzedek, Yafo e Namal Tel Aviv. O primeiro é na realidade um complexo com vários museus que tratam de arqueologia e história do que hoje é Israel. A linguagem não é das mais modernas, mas eu sempre gosto de visitar o The Alexander Museum of Postal History and Philately e ver as cartas endereçadas para “D’s – Terra Santa”. Milhares de cartas desse tipo chegam ao serviço de correios israelense e no geral são levadas ao Muro das Lamentações. Surreal! Ali do lado, em Ramat Aviv ainda fica a Universidade Tel Aviv e dentro de seu campus se encontra o Beit Hatfutsot, o Museu da Diáspora. Para se entender a trajetória das várias diásporas judaicas pelo mundo afora através dos tempos, esse é o lugar! (http://www.bh.org.il/) Eles estão passando por um processo de modernização e remodelação, mas acho que as miniaturas de sinagogas do mundo todo ainda estão lá: tem até uma em formato de pagode chinês! HaTachaná em hebraico quer dizer “a estação” e é exatamente isso: uma antiga estação de trem restaurada e revitalizada com uma série de barzinhos, lojinhas, livraria, shows e informações aqui e acolá sobre T”A antiga... Fica em Neve Tzedek, o bairro mais bacana de T”A, a meu ver. É tipo Santa Teresa, sem ladeiras, e vale simplesmete andar por suas ruelas. Lá fica o Suzanne Dellal Dance Center (http://www.suzannedellal.org.il) que sempre vale verificar se conta com show do Batsheva (sempre que assisto a Deborah Colker, lembro deles: têm uma linguagem parecida) e o restaurante Susanna, bem pertinho. Yafo é ao lado, com um visual lindo da praia de T”A, os pães deliciosos do Abulafia (o cheiro deles quentinhos, com zatar, é uma coisa!), o famoso Mercado das Pulgas (Shuk HaPishpishim, em hebraico), várias galerias de arte, e o restaurante “Hazaken Ve Hayam”, que é um dos melhores da região para comer peixe e frutos do mar. Em Yafo fica também o espaço do Mayumana (http://www.mayumana.com), uma espécie de Stomp israelense (grupo que junta percussão e dança) que vale assistir. Por fim, Namal Tel Aviv (Porto de Tel Aviv). A cidade seguiu a tendência mundial de reformar seu porto, criando uma charmosa área com restaurantes, bares e mesmo lojinhas (se não me engano é mais de decoração), e é um bom lugar para ver o pôr do sol. Não fui ainda ao "Children's Museum", mas todos que já foram amaram! Em Jerusalém, além da óbvia visita à Cidade Velha, onde fica o Muro das Lamentações, a Via Dolorosa e o Domo da Rocha (recomendo o livro “Jerusalém”, da Karen Armstrong, como introdução), tem o Yad VaShem ( Museu do Holocausto) e o The Israel Museum, entre outros. Uma vez fiquei hospedada no bairro cristão da Cidade Velha e foi uma experiência bem legal acordar lá dentro, mas no geral os turistas ficam fora das muralhas, em hotéis para todos os bolsos. O Yad VaShem é das experiências mais tristes. Começa com uma enorme floresta, com o nome dos não-judeus que salvaram judeus quando da guerra (o brasileiro Souza Dantas está entre eles. Caso haja interesse, meu amigo Fábio Koifman escreveu sobre ele em “O quixote nas trevas”, publicado pela Record). É enorme e tem muita informação sobre o drama dos judeus (entre outras vítimas, como ciganos, homossexuais, doentes mentais, etc) durante a Segunda Guerra Mundial. O Children’s Memorial, porém, é o lugar que mais me toca. A cada passo, o nome, a idade e o local de origem de muitas das quase um milhão e meio de crianças judias mortas.
O The Israel Museum, por sua vez, é conhecido por ter um “santuário do livro”, com manuscritos do Mar Morto ainda sendo estudados e lá exibidos, mas a verdade é que sua coleção de arte moderna e contemporânea é maravilhosa! Tem Brueghel, Rembrandt, Magritte (como "O Castelo dos Pirineus", da imagem), Matisse, e Modigliani, entre outros, além de exemplares da arte contemporânea israelense, que é vibrante. Enfim, eis algumas dicas de lugares a serem visitados em Tel-Aviv e Jerusalém...

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