Ideias, comentários, e o que mais der na telha, sobre História Pública, História Internacional, Oriente Médio, Turquia...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Novela turca
Não, não vou falar de "Salve Jorge" porque simplesmente não consigo assisti-la. Inicialmente porque estava dando aulas no horário em que vai ao ar e agora porque é justamente a hora que coloco meus filhos para dormir. Sei, porém, que contou com assessoria de queridas amigas, que conhecem muito bem a Turquia. Meu vício, na realidade, é a "novela" (na realidade, as novelas turcas seriam mais seriados, uma vez que passam uma vez por semana, e tem duração que varia de uma hora e meia a duas horas), "Muhteşem Yüzyıl" ("Século Magnífico") que trata do longo reinado de Suleiman, o Magnífico (1520-1566). Alguma boa alma disponibiliza todos os episódios na Turkweb.
OK, a questão política e a diplomacia - importantíssimas nessa fase áurea do Império Otomano - ganham menos atenção que deveriam. O foco mesmo é o harém do sultão com suas "traficadas" de então e os jogos de poder e vaidade que envolviam, sobretudo, as mães de potenciais herdeiros ao trono, em especial, Hürrem Sultan. Roxelana, como ficou conhecida no Ocidente, era uma escrava cristã oriunda da Rutênia (algo entre a Polônia e a Ucrânia), que conseguiu se casar com o sultão Suleiman e impor seu filho Selim como seu sucessor. A novela conta com a assessoria de dois historiadores, mas obviamente tem liberdade poética e abusa dela: trata-se de entretenimento afinal! É bastante cuidadosa com a direção de arte, figurino, locações, mas não pára de gerar polêmicas, inclusive com o primeiro ministro Erdoğan, que a considera desrespeitosa com importantes figuras históricas. A grande parte do público, porém, passa ao largo dessas discussões e acompanha avidamente o desenrolar da novela. Não só dessa, como de inúmeras outras: existe uma verdadeira indústria noveleira na Turquia. As novelas turcas atingem cerca de 20 países e além de angariar consideráveis recursos, têm lá seu peso no “poder brando” da diplomacia turca. Novelas como “Aşk-ı Memnu” (“Amor proibido”), “Yaprak Dökümü” (“Folhas caídas”) e, sobretudo, “Gumuş” quebraram recordes de audiência no Oriente Médio, Norte da África e ainda atraem crescente atenção nos Bálcãs e Leste Europeu. A exibição do último episódio de “Gumuş” em 2011 atraiu 85 milhões de expectadores da Síria ao Marrocos. De certa forma um subproduto é o crescente número de turistas árabes, das mais variadas classes sociais visitando a Turquia (possível de se perceber na parte do Topkapı dedicada às relíquias do Islã e na mesquita de Eyüp). Principalmente oriundos dos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Kuait, estes turistas explicam o crescente interesse "porque a Turquia possui boa comida e que segue os preceitos do halal, além de beleza natural e ainda compartilha uma história e tem semelhanças religiosas". A isenção de vistos, a hospitalidade do povo e o bom clima também são fatores de atração, segundo o artigo "Arab tourists´ interest in Turkey increases, say tourism officials" publicado no Hurriyet Daily News, em 23 de abril de 2012. Definitivamente, não se deve menosprezar o poder das novelas...
Em tempo: para quem se interessar por trabalhos mais acadêmicos que lidem com a questão dos haréns, vale muito a leitura de "Imperial Harem", da professora da NYU, Leslie Pierce (assisti a uma palestra incrível dela, em Bilkent), e do catálogo da recente exposição "Harem: The House of Sultans".
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Israel para brasileiros (Tel-Aviv e Jerusalém)
Adoraria postar mais aqui, mas a vida anda corrida demais. Tendo em vista os inúmeros pedidos, sobretudo de alunos, a respeito de dicas de viagens para Israel, resolvi também compartilhar aqui um e-mail que tinha escrito a esse respeito para uns amigos...
Antes da viagem para Israel, recomendo leituras prévias e os romancistas Amos Oz e David Grossman são excelentes autores para se iniciar. “Meu Michel” e “Contra o fanatismo” (esse último é na realidade composto de discursos) são os meus favoritos do Amos Oz, mas sua publicação é extensa e já vem sendo traduzida diretamente do hebraico para o português nos últimos tempos, pela super editora Companhia das Letras. E o cinema de lá anda de primeira: “Lemon Tree”, “Valsa com Bashir”, “A Banda”, “Nota de rodapé” e “A noiva síria” são ótimos. Portais como do jornal www.haaretz.com, http://972mag.com, e www.jpost.com dão uma boa visão das muitas e intensas questões políticas diárias do país. Os livros sobre a história do povo judeu e de Israel são muitos, mas acho que “Israel: terra em transe”, da Guila Flint e Bila Sorj, apesar de ser da década de 1990, dá algumas indicações sobre dilemas por que passa o país. “A história do povo de Israel”, do Abba Eban”, dá uma visão mais idealizada da história; e “Muralha de Ferro”, de Avi Shlaim, é um exemplo da chamada historiografia “pós-sionista”, que revisita a história de maneira bastante crítica. Enfim, tanto cinema, como literatura, já mostram ao viajante que se trata de um país absurdamente interessante e profundamente envolvido com questões dramáticas sobre sua história, política e identidade.
Eu particularmente acho que Tel Aviv (T”A) é o melhor lugar para servir de base. A cidade tem ótima infra-estrutura hoteleira e vários atrativos. Os que recomendo em especial são: Eretz Israel Museum, Beit Hatfutsot, HaTachaná (ch tem som de rr), Neve Tzedek, Yafo e Namal Tel Aviv. O primeiro é na realidade um complexo com vários museus que tratam de arqueologia e história do que hoje é Israel. A linguagem não é das mais modernas, mas eu sempre gosto de visitar o The Alexander Museum of Postal History and Philately e ver as cartas endereçadas para “D’s – Terra Santa”. Milhares de cartas desse tipo chegam ao serviço de correios israelense e no geral são levadas ao Muro das Lamentações. Surreal! Ali do lado, em Ramat Aviv ainda fica a Universidade Tel Aviv e dentro de seu campus se encontra o Beit Hatfutsot, o Museu da Diáspora. Para se entender a trajetória das várias diásporas judaicas pelo mundo afora através dos tempos, esse é o lugar! (http://www.bh.org.il/) Eles estão passando por um processo de modernização e remodelação, mas acho que as miniaturas de sinagogas do mundo todo ainda estão lá: tem até uma em formato de pagode chinês!
HaTachaná em hebraico quer dizer “a estação” e é exatamente isso: uma antiga estação de trem restaurada e revitalizada com uma série de barzinhos, lojinhas, livraria, shows e informações aqui e acolá sobre T”A antiga... Fica em Neve Tzedek, o bairro mais bacana de T”A, a meu ver. É tipo Santa Teresa, sem ladeiras, e vale simplesmete andar por suas ruelas. Lá fica o Suzanne Dellal Dance Center (http://www.suzannedellal.org.il) que sempre vale verificar se conta com show do Batsheva (sempre que assisto a Deborah Colker, lembro deles: têm uma linguagem parecida) e o restaurante Susanna, bem pertinho. Yafo é ao lado, com um visual lindo da praia de T”A, os pães deliciosos do Abulafia (o cheiro deles quentinhos, com zatar, é uma coisa!), o famoso Mercado das Pulgas (Shuk HaPishpishim, em hebraico), várias galerias de arte, e o restaurante “Hazaken Ve Hayam”, que é um dos melhores da região para comer peixe e frutos do mar. Em Yafo fica também o espaço do Mayumana (http://www.mayumana.com), uma espécie de Stomp israelense (grupo que junta percussão e dança) que vale assistir. Por fim, Namal Tel Aviv (Porto de Tel Aviv). A cidade seguiu a tendência mundial de reformar seu porto, criando uma charmosa área com restaurantes, bares e mesmo lojinhas (se não me engano é mais de decoração), e é um bom lugar para ver o pôr do sol. Não fui ainda ao "Children's Museum", mas todos que já foram amaram!
Em Jerusalém, além da óbvia visita à Cidade Velha, onde fica o Muro das Lamentações, a Via Dolorosa e o Domo da Rocha (recomendo o livro “Jerusalém”, da Karen Armstrong, como introdução), tem o Yad VaShem ( Museu do Holocausto) e o The Israel Museum, entre outros. Uma vez fiquei hospedada no bairro cristão da Cidade Velha e foi uma experiência bem legal acordar lá dentro, mas no geral os turistas ficam fora das muralhas, em hotéis para todos os bolsos. O Yad VaShem é das experiências mais tristes. Começa com uma enorme floresta, com o nome dos não-judeus que salvaram judeus quando da guerra (o brasileiro Souza Dantas está entre eles. Caso haja interesse, meu amigo Fábio Koifman escreveu sobre ele em “O quixote nas trevas”, publicado pela Record). É enorme e tem muita informação sobre o drama dos judeus (entre outras vítimas, como ciganos, homossexuais, doentes mentais, etc) durante a Segunda Guerra Mundial. O Children’s Memorial, porém, é o lugar que mais me toca. A cada passo, o nome, a idade e o local de origem de muitas das quase um milhão e meio de crianças judias mortas.
O The Israel Museum, por sua vez, é conhecido por ter um “santuário do livro”, com manuscritos do Mar Morto ainda sendo estudados e lá exibidos, mas a verdade é que sua coleção de arte moderna e contemporânea é maravilhosa! Tem Brueghel, Rembrandt, Magritte (como "O Castelo dos Pirineus", da imagem), Matisse, e Modigliani, entre outros, além de exemplares da arte contemporânea israelense, que é vibrante. Enfim, eis algumas dicas de lugares a serem visitados em Tel-Aviv e Jerusalém...
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Turquia para brasileiros (2)
Muitos amigos brasileiros continuam indo para a Turquia nos últimos meses e tenho enviado para eles um e-mail padrão que tinha escrito no ano passado para a irmã de um colega de trabalho. Achei por bem agora publicá-lo aqui no blog. Vai que passa a ser útil para mais gente??? Então, para quem está planejando ir para a Turquia, para esquentar os tambores, recomendo o site: http://www.mymerhaba.com. As versões locais do Lonely Planet e da Time Out também são ótimas, assim como a excelente revista Cornucopia: Turkey for connaisseurs. O livro das queridas Katia Mindlin e Dalal Achcar, "Istambul, uma cidade fascinante", tem boas dicas também. Antes de mais nada, vale levar roupas e sapatos confortáveis e carregar na mochila/bolsa (no caso de mulheres) um lenço/echarpe para cobrir a cabeça quando entrar em mesquitas. O costume ao visitá-las é de retirar os sapatos e daí o ideal é que se ande com algo fácil de remover também. Normalmente eles oferecem um saco plástico para segurá-los enquanto se visita o templo. A grande maioria dos brasileiros fica hospedada no bairro de Sultanahmet e de fato é lá que fica o grosso dos monumentos (fiquei sabendo de um hostel chamado "Sultan" por lá, que parece bom!). Em um dia dá para visitar o museu do Topkapi (vale muito pagar o "a mais" que pedem e visitar o harém), a Aya Sofia (também conhecida como Hagia Sophia, que recomendo não deixar de subir a rampa e visitar o segundo andar), a Blue Mosque e as cisternas da Basílica. Tudo muito perto.
Ao sair da Blue Mosque recomendo seguir as placas e visitar o Arasta Bazaar. Ele é bem menos conhecido que o Grand Bazaar, mas é bem charmoso (eu comprei uma sandália de tapete que amo!). Se ainda tiver ânimo e pernas, vale ir também ao Grand Bazaar, que é gigantesco e maravilhoso. Lá é ótimo para se comprar lenços, couro, jóias, tapetes, louças e o que mais der na telha. O ideal é negociar sempre, nunca aceitando o primeiro preço. Eu amo os espelhos de prata... Entre a cisterna da Basília e o Grand Bazaar (é só seguir as placas), tem um restaurante muito legal chamado "House of Medusa" (Yerebatan Street, n.19), que recomendo. Funciona em uma casa otomana, tem um pátio fofíssimo e comida típica turca de bom nível. Ainda em Sultanahmet, vale muito visitar a Yeni Camii (mesquita) em Eminonu, e seu vizinho Egyptian Bazaar. Esse é mais especializado em temperos e comidas, mas é bem simpático também. Para de noite recomendo o Hodjapasha Culture Center (Hocapasa Hamam Sokak, n. 5-9D). Trata-se de um antigo hamam convertido em centro cultural que tem sempre exposições temporárias e, o mais legal, espetáculos de noite. Eu assisti um da cerimônia Sema dos derviches, e amei! Sei que eles tem uma "Turkish Dance Night" que bate um bolão também.
Falando em Hamam, vale muito visitar um. Eu fui no Galatasaray e recomendo por ser limpo, mas tem uns bem famosos em Sultanahmet (como o Çemberlitas) que devem recomendar no hotel/hostel. Eu, como brasileira, gosto de ir com biquini, mas a mulherada local fica nua mesmo, sem cerimônia. Vale levar shampoo, condicionador, sabonete, pente e toalha. É uma espécie de spa com cultura.
Na região de Beyoglu/Pera, recomendo visitar a Galata Tower (as fotos mais lindas são feitas de lá, onde se tem um visu maravilhoso dessa loucura que é uma cidade em dois continentes), o Pera Museum (amo a tela "Tortoise Trainer" do Osman Hamdi Bey) e passear muito pela Istiklal Caddesi. Trata-se de uma avenida enorme, cheia de lojas, mas o mais legal é observar as pessoas. Tem de tudo: mulher de véu, travesti, turistas sem noção, turcos moderninhos... é o meu point em Istanbul. Lá vale comer no Sultanahmet Koftecisi durante o dia e de noite, tomar café no The House Cafe, entrar na Cicek Pasaji (uma galeria) e escolher qualquer restaurante para comer peixe. Rola música turca ao vivo. Dizem que tem uns bares em roofs que tem vistas maravilhosas. Recomendo também a French Street, atrás do Galatasaray Lisesi. Vale conferir.
Um passeio obrigatório é o de barco no Bósforo e aí pode ser o de uma hora e meia ou o de 6 horas, dependendo do ânimo e do tempo disponível. Em Eminonu ficam os cais (é esse o plural mesmo?) e é fácil de achar e se informar. Tem também um tour de barco dentro do Chifre de Ouro (Haliç, em turco), que gosto muito, mas só se tiver tempo. Caso faça esse tour, vale parar em Fener e visitar o patriarcado grego (o "Vaticano" dos ortodoxos gregos); caso haja interesse, andar pelas ruas do antigo bairro judaico de Balat (se procurar com atenção, acha-se inscrições em hebraico em muitas casas e há uma sinagoga que pode ser visitada chamada Ahrida, mas tem que agendar antes); e visitar mesquita de Eyoup, no ponto final.
Eu recomendo muito visitar o Dolmabahce Palace, mas tem que ficar muito atento porque fecha segundas E QUINTAS. Lá só se visita com guia, mas vale muiiiito a pena porque na minha opinião é um dos mais bonitos do mundo. D. Pedro II esteve lá com o sultão Abdul Hamid II e pouca gente sabe disso...
Na Capadócia, tem que fazer um dia o passeio de balão (é sempre às 5 da matina e custa cerca de 130 euros por cabeça), e o tour pelas cidades subterrâneas, monastérios, câniones. O Goreme Open Air Museum é de tirar o fôlego e, para de noite, tem um lugar com danças típicas em que dança uma carioca chamada Clara Sussekind. Vale visitar workshop de tapetes e de jóias também (os funcionários já estão aprendendo a falar português por conta do nosso "poder" por lá), mas isso as agências de turismo normalmente incluem no pacote. Eu fiquei hospedada numa pousada super simples chamada CocoCave (o dono chama-se Ekko e é figura das mais doces), mas tem coisas melhores por lá.
Em Izmir, o legal é Efesus mesmo. Não recomendo Bergama pois o legal que era para ter lá os alemães levararm para Berlim (dá dó de ver o vazio). Para visitar Efesus e a Casa de Maria (normalmente é passeio conjunto), só vale ir de tênis confortável para andar em lugar que tem pedrinhas chatas. Em Izmir, tem uns restaurantes simpáticos na Birinci Kordon, a avenida a beira mar. Se tiver tempo, dizem que Pamukkale é de tirar o fôlego, mas fica 3 horas de Izmir e eu não consegui ir.
É isso! Espero que de fato seja útil... :0)
sábado, 21 de abril de 2012
Cinema do Oriente Médio
Nessa semana que entra participarei de dois debates sobre filmes recentes do Oriente Médio. Em ambos estarei ao lado de meu amigo Maurício Santoro, com quem venho no último ano trocando livros e DVD´s desta região e justamente ressaltando o quanto a literatura e o cinema feitos por lá, além da qualidade inegável, vem permitindo um olhar direto, sem os tradicionais filtros orientalistas do Ocidente (aliás, sobre esse tema, vale assistir a esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=DmVoSZk_fvo&feature=related). Mas não é dos incríveis “Valsa com Bashir” ou “Isto não é um filme” que quero falar aqui. Estes serão apresentados e debatidos dias 26 e 27 de abril, na FGV-Rio e no Cine-Jóia, respectivamente. O filme que me impactou essa semana que passou, e que recomendo vivamente, é “Cairo 678”. A meu ver, tão bom quanto o obrigatório “Edifício Yakoubian” para se ter um vislumbre da complexidade dos problemas que assolavam o Egito pré-Tahrir Square. Diferente do “Edifício”, porém, é realmente baseado em fatos reais. O filme, do diretor Mohamed Diab, trata da história de três mulheres de diferentes classes sociais que sofreram assédio sexual e decidiram fazer algum tipo de justiça com as próprias mãos. Ao contar a história de Seba, Fayza e Nelly, além de obviamente retratar o sofrimento pelo qual as três passaram e de aspectos surreais do Egito de Mubarak, Diab permite um vislumbre da vida cotidiana e da cultura local. Estão lá as mazelas de grandes cidades, com trânsito caótico e transportes deficitários e também as aspirações e frustrações, sobretudo dos jovens, em relação a emprego, família, tradições, etc. Não chega a ser um filme tão visceral como “Incêndios”, por exemplo, mas é daqueles que ficam na cabeça por dias seguidos em função dos “puzzles” que propõe, em especial ao apresentar o ponto de vista dos molestadores. Vale muito a ida ao cinema! E ainda sobre a questão do lugar das mulheres nos países muçulmanos, em especial no contexto da Primavera Árabe, vale ler: http://www.foreignpolicy.com/articles/2012/04/23/why_do_they_hate_us?page=0,0
domingo, 8 de abril de 2012
Rothschild Archive Summer School
Em setembro do ano passado, com barrigão de 5 meses de gravidez e tudo, embarquei para Londres para participar da primeira edição do The Rothschild Archive Summer School. Meu interesse tinha surgido porque o primeiro cônsul otomano no Rio, John Samuel, tinha conexões com os Rothschilds e porque tinha devorado o livro "The house of Rothschilds" do Niall Ferguson. Ao chegar lá percebi que tinham poucas informações sobre a ligação do "meu" cônsul com os turcos e que o livro do Ferguson é cheio de brechas, principalmente quando trata das Américas. O esforço não foi em vão, porém. Eu tive praticamente um curso de atualização de práticas e metodologia de pesquisa e me deparei com um acervo fantástico sobre o Brasil. Para além dos óbvios temas de pesquisa ligados à história econômica e financeira do Brasil, tem lá material o suficiente para melhor compreender as relações que se davam entre a comunidade britânica no Rio de Janeiro, vislumbres sobre a história dos judeus no Brasil, as conexões dos agentes na antiga capital com diversas províncias do Brasil e outras regiões das Américas... enfim, uma mina de ouro para pesquisadores brasileiros, quase que literalmente! É por isso que "linko" aqui a chamada para a próxima turma: http://www.history.ac.uk/events/event/3642 As inscrições se encerram em 16 de abril.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Islã
Eu e cerca de dez mil pessoas resolvemos visitar a exposição “Islã” no CCBB carioca no último dia 15/10. Valeu a pena pela exposição em si e pelas pessoas legais que ali encontrei, mas doeu no peito ler que o Império Otomano teria sido fundado em 1453pelo sultão Mehmet II ao tomar Constantinopla!! Este foi fundado em 1299 por Osman, que deu seu nome à dinastia (Osmanlı, em turco), e o erro teria sido corrigido com um pouco mais de cuidado na revisão do material. Apesar da implicância inicial (o dado está em uma espécie de quadro sinótico logo no início da exposição), gostei e aprendi muito com o resto. Não tinha a mínima idéia dos fabulosos acervos dos Palácios de Azem e Al-Gharbi e dos Museus Nacionais de Alepo e Damasco, na Síria, muito menos do Museu dos Tapetes, no Irã. Estão lá peças com belíssimos arabescos, mas também algumas que representam a figura humana, mostrando que o banimento do uso deste tipo de imagem não ocorreu desde sempre no mundo islâmico. Um “muxarabi” (mashrabia, em árabe) damasceno do século XI, imediatamente me trazia à mente aqueles retratados por Debret no Rio do início do XIX, me forçando a reler o delicioso capítulo “Oriente e Ocidente” de Gilberto Freyre em “Sobrados e mucambos”. O material remonta ao século VIII e têm o mérito de apresentar diretamente ao público brasileiro uma cultura ainda pouquíssimo conhecida por aqui. Um pouco de tecnologia, porém, também enriquece a exposição, como a projeção em 360 graus que permite a visita virtual a algumas mesquitas como a Blue Mosque (Sultanahmet), de Istambul. Segundo um dos organizadores, a exposição deve rodar ainda por São Paulo e Brasília no ano que vem e nesta semana se inaugura uma espécie de apêndice, com obras de artistas contemporâneos. Para quem estiver pelo Rio, vale a visita. Para quem ficar com gostinho de "quero saber mais", vale a leitura de “Islã: Religião e Civilização. Uma abordagem antropológica”, de Paulo Gabriel Hilu, recém-lançado.
sábado, 18 de setembro de 2010
Turquia para brasileiros
A Turquia recebeu em 2008 45 mil turistas brasileiros e desde 2009 conta com 3 vôos semanais São Paulo-Istambul oferecidos pela Turkish Airlines (duração de 14 horas). Levando em conta esses dados e uma paixão antiga pela antiga Constatinopla, duas cariocas lançarão em breve um guia de Istambul para brasileiros. Ajudei um pouco na confecção desse guia, que será de altíssimo gosto, mas tendo em vista o grande número de amigos brasileiros embarcando para a Turquia nesse mês de setembro, achei interessante deixar aqui algumas dicas minhas, desses meus 6 meses vividos entre Ankara e Istanbul. Vamos a elas:
* Havaş (lê-se Havash): Boa parte dos aeroportos turcos contam com os serviços dessa empresa. Funciona como um “frescão” ligando os aeroportos normalmente bastante distantes da cidade a pontos centrais desta. Em Istambul, liga tanto o Atatürk Airport (no lado europeu) como o Sabiha Gökçen Airport (lado asiático) à Taksim Square. O primeiro custa 10 TL e o segundo 13 TL. Como o trânsito da cidade é caótico e o sistema é realmente confortável, recomendo muito. Dá para se admirar a cidade sem ansiedade com o taxímetro!
* Taksim Square: Tida por muitos como coração da Istambul moderna, fica do lado europeu desta, e é ainda palco de inúmeras manifestações políticas. A meu ver, é o melhor lugar para se hospedar em Istambul, em especial os hostéis da Şehit Muhtar Caddesi e redondezas, como o Taksim Park City. O legal desta é região é que seguindo de funiculaire e tram, chega-se a Sultanahmet, o bairro histórico em que se encontram a Aya Sofia, Topkapı Museum, Grand Bazaar, entre outras atrações turísticas. Se preferir as comodidades de um shopping center, de Metrô, pode-se chegar a Şişli e ao Cevahir (lê-se Djevahir) Mall. E o mais legal é que sempre se pode caminhar pela Istiklal Caddesi, ali pertinho, com suas milhares de lojas, restaurantes, bares, artistas de rua, boates e afins. Turistas brasileiros normalmente preferem ficar em Sultanahmet, que também é muito legal, mas turístico demais. Em Taksim dá para se ter um melhor vislumbre da vida turca contemporânea, além de ser mais cômodo (e barato) para circular para outras regiões da cidade gigantesca.
* Bebek: Bebek sempre me lembra a Gávea, no Rio, por contar com o campus da Bosphorus University (a melhor universidade pública do país, nascida do Robert College, mencionado nos livros de Orhan Pamuk) e com inúmeros barzinhos relativamente próximos a ela, sempre cheio de jovens. Trata-se de um bairro classe-média alta, no norte do lado europeu do Bósforo, muito simpático e recomendo muitíssimo os restaurantes “Happily ever after”, “Lucca” e a filial local do “Kitchenette”. De sobremesa, um waffle vendido em diversas lojinhas de rua ou deliciosos chocolates da Baylan. Tudo na Cevdet Paşa Caddesi. Se Bebek estiver muito lotado, vale descer um pouco ao sul e parar em Arnavutköy e comer um peixinho no “Vira Vira” ou no “Ali Baba”.
* Rahmi Koç Museum: Uma espécie de museu de artes e ofícios. Conta com duas filiais: uma gigantesca em Istambul, nas margens do Chifre de Ouro, e uma menor, mas linda, no centro histórico de Ankara. Além do acervo fantástico de meios de transporte e equipamentos antigos (ótima opção para quem estiver com criança) da Turquia e do mundo, conta com simpáticos restaurantes e lojinhas. Para quem se interessar, o site é: http://www.rmk-museum.org.tr/
* Havaş (lê-se Havash): Boa parte dos aeroportos turcos contam com os serviços dessa empresa. Funciona como um “frescão” ligando os aeroportos normalmente bastante distantes da cidade a pontos centrais desta. Em Istambul, liga tanto o Atatürk Airport (no lado europeu) como o Sabiha Gökçen Airport (lado asiático) à Taksim Square. O primeiro custa 10 TL e o segundo 13 TL. Como o trânsito da cidade é caótico e o sistema é realmente confortável, recomendo muito. Dá para se admirar a cidade sem ansiedade com o taxímetro!
* Taksim Square: Tida por muitos como coração da Istambul moderna, fica do lado europeu desta, e é ainda palco de inúmeras manifestações políticas. A meu ver, é o melhor lugar para se hospedar em Istambul, em especial os hostéis da Şehit Muhtar Caddesi e redondezas, como o Taksim Park City. O legal desta é região é que seguindo de funiculaire e tram, chega-se a Sultanahmet, o bairro histórico em que se encontram a Aya Sofia, Topkapı Museum, Grand Bazaar, entre outras atrações turísticas. Se preferir as comodidades de um shopping center, de Metrô, pode-se chegar a Şişli e ao Cevahir (lê-se Djevahir) Mall. E o mais legal é que sempre se pode caminhar pela Istiklal Caddesi, ali pertinho, com suas milhares de lojas, restaurantes, bares, artistas de rua, boates e afins. Turistas brasileiros normalmente preferem ficar em Sultanahmet, que também é muito legal, mas turístico demais. Em Taksim dá para se ter um melhor vislumbre da vida turca contemporânea, além de ser mais cômodo (e barato) para circular para outras regiões da cidade gigantesca.
* Bebek: Bebek sempre me lembra a Gávea, no Rio, por contar com o campus da Bosphorus University (a melhor universidade pública do país, nascida do Robert College, mencionado nos livros de Orhan Pamuk) e com inúmeros barzinhos relativamente próximos a ela, sempre cheio de jovens. Trata-se de um bairro classe-média alta, no norte do lado europeu do Bósforo, muito simpático e recomendo muitíssimo os restaurantes “Happily ever after”, “Lucca” e a filial local do “Kitchenette”. De sobremesa, um waffle vendido em diversas lojinhas de rua ou deliciosos chocolates da Baylan. Tudo na Cevdet Paşa Caddesi. Se Bebek estiver muito lotado, vale descer um pouco ao sul e parar em Arnavutköy e comer um peixinho no “Vira Vira” ou no “Ali Baba”.
* Rahmi Koç Museum: Uma espécie de museu de artes e ofícios. Conta com duas filiais: uma gigantesca em Istambul, nas margens do Chifre de Ouro, e uma menor, mas linda, no centro histórico de Ankara. Além do acervo fantástico de meios de transporte e equipamentos antigos (ótima opção para quem estiver com criança) da Turquia e do mundo, conta com simpáticos restaurantes e lojinhas. Para quem se interessar, o site é: http://www.rmk-museum.org.tr/
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